domingo, 30 de junho de 2013

Artistagem








Expoeta

A pele clara
Os cabelos agora curtos
Caracolados, negros.
Jogada nos lençóis
Com cheiro que chama à nuca
Pureza e malícia
Seios de menina na forma de minha mão
Costas de moça, forte e delicada
Mãos de mulher, que me buscavam
Olhar de puta, rosto de donzela
Ah, as ancas!
Quadris largos que se deixavam tomar.
Carne pronta a ser segurada.
Lascívia na hora de ser deglutida
Móvel, flexivel, confortável, entregue.
Explicita, extrema, exemplo, exclusiva,
exigente, exprimente, excitada.
simplesmente Ex.

miliano

sábado, 29 de junho de 2013

Para MM





MM


MM
Doce, chocolate
Coração escarlate.
Guloseima
Teima em escorrer por minha boca
Fico louca
De saudade
Me invade.
Entre minhas pernas
Arde
Teu suor me envolve
Quente
Caliente.
MM
Saboroso
Inescrupuloso.
Peito coberto, sentido incerto
Olhar de lado
Retraído, calado
Quase meu namorado.
MM
Leite fervente
Latente, envolvente
Me segura, me sente
Escorre por mim
Me deita assim e assim
Me escolhe, me colhe
Me acolhe.
Me deito nos braços, cansaço
Me ofereço em abraço
E te beijo com fome
Mas aí, você some...
MM
Olhar vagabundo
Coração moribundo
Ardor circundante, amante
Corpo insaciado, desejado
Esperado.
Noite que não começa
Dia que atravessa
Sentir que não se confessa
Vida que se arremessa.
Vem pra perto
Ainda incerto, é certo.
MM
Chocolate derretido
Confeito mordido
No céu da minha boca
Ai, sou louca
Confesso tudo
Me desnudo.
Marrom de bombom
Café e morango
Passeio os lábios no canto.
Gosto de pele
Revele
Seu cheiro de homem
Me come, me come.
Sinto no sabor na memória
Esta quase história.
MM
Doce e amargo, dois emes
Voz que cala, entorpece
M de menino que treme
M de manto que aquece.

(Patrícia)

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Médico ou mercenário




O Juramento feito pelo médico:

"Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higeia e Panaceia, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes. Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém..."

Fala  sério, quantas vezes você viu isso cumprido à risca?

Passou na TV que "instituições médicas ameaçam entrar na justiça se médicos estrangeiros vierem para o Brasil...". Ora, se vierem, esses médicos são para preencher as lacunas deixadas pelos médicos nacionais, isso ficou bem claro. Aliás, um protecionismo que não vejo com outra profissão qualquer.

Os médicos que protestam dizem que estão preocupados com a qualidade do serviço que a população vai receber. Melhor serviço ruim do que serviço nenhum, certo? Ou será que esse protesto tem outros interesses: proteção de mercado, acho mais provável.

Tive a oportunidade de conviver com uma turma de médicos que se formava, e mais intimamente com uma das mulheres dessa turma, digo-lhes: foi o suficiente para saber o que não devemos esperar dos médicos, o cumprimento do juramento. Além de parecerem muito pouco preparados, também parecia que a grande maioria tinha escolhido a profissão mais pelos ganhos que qualquer outra coisa.

Um médico sai da faculdade e já tem facilmente um salário de sete mil reais... primeiro trabalhando nas cidades do interior nos programas governamentais, até conseguirem estabelecer-se num consultório ou outro trabalho melhor. Coisa de um ano, mais ou menos.

Além da frieza que adquirem com o estudo do corpo, e tratam pacientes como um pedaço de carne que anda, ou na melhor das hipóteses, como um completo idiota, o dinheiro se torna o objetivo maior do exercício da profissão. Mesmo que alguém deixe de ter todo o dinheiro para pagar um tratamento, isso não importa para a maioria, desde que esse dinheiro vá para o seu bolso.

Faço o possível para não ter que consultar-me com um médico, erradamente chamado de Doutor... prefiro o doutorado da tradição milenar que acompanha a minha avó, com seus remédios de ervas.
O governo tem sim que suprir as lacunas com médicos do exterior. O Brasil emprega apenas 0,76% de médicos estrangeiros, enquanto a Inglaterra e outros países essa percentagem ultrapassa os 20%. A síndrome de Deus que os médicos sofrem pode manter indefinidamente o mau antendimento médico-hospitalar no Brasil.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Lá na Macuca

O São João da Macuca foi muito bom, o forró e a natureza foram os grandes promotores de momentos inesquecíveis.

Uma natureza exuberante, o frio da região e um Luar do Sertão no Agreste impressionaram à todos os brincantes de longe, os quase locais e antigos visitantes já conheciam a magia, que teimava em se repetir.

Qualquer evento tem como premissa a diversão, e no caso da Macuca eles tem a valorização da cultura e a preservação do meio como adicionais. Mas seria bom que o ganho monetário fosse a última premissa para se fazer qualquer coisa.

Uma empreitada sem o planejamento da organização pode deixar menos bom o que poderia ter sido excelente. O clima num lugar como a Macuca deve ser sempre de socialização e igualdade... tá começando a deixar de ser assim, justamente pelos valores financeiros.

Desgostos à parte, os frequentadores sempre dão o show, quem vai leva boa vontade e simpatia, a possibilidade de conhecer pessoas incríveis é quase total, a bandinha de pífano do cortejo quase conseguiu aplacar o cansaço da caminhada por entre montanhas, o que foi feito pela beleza do cenário e as boas companhias; A irresponsabilidade de jovens cavaleiros que se exibiam ao acompanhar o cortejo, dando galopes muito perto dos caminhantes, deixou-nos meio tensos em alguns momentos.

No geral, estar na Macuca é uma experiência altamente recomendada, principalmente se o contato com a natureza é ampliado com o camping.





sexta-feira, 21 de junho de 2013

Somos 99%




Sabemos escandalizados que o trabalhador paga um terço do que ganha como imposto. Sabemos o quanto se paga, individualmente pelos estádios? Segundo o magnífico senador Cristóvam Buarque, o custo para cada brasileiro economicamente ativo é em torno de um ano de trabalho, mais ou menos oito mil reais.  Não tenho dúvida que se pudesse escolher o emprego, o cidadão que paga isso não escolheria a construção de estádio e muito menos a copa, e sim escola, hospital e segurança.

Tenho estado na Cidade de Garanhuns, no agreste do Glorioso estado de Pernambuco, e para minha surpresa aqui também teve manifestação, povo na rua, com um número modesto se comparado com Recife ou São Paulo, mas se compararmos proporcionalmente com o número populacional, foi realmente atuante e gigantesca.

O prefeito daqui, ao contrário da lógica clamada pelo povo, cria mais taxas públicas e aumenta os impostos. Logo terá o Festival de Inverno e a cidade está se embelezando e melhorando apenas no caminho que o turista deve percorrer. Enquanto tem iluminação a LED nas vias principais, na periferia nem iluminação tem. Mas festa não deve faltar. Pão e Circo.

Deveríamos ter uma nova assembleia constituinte que se ocupasse apenas da reforma política, para que os trilhões de dinheiros que fossem arrecadados, fossem realmente empregados em prol do povo, e que mesmo ocupando um cargo de mando, um ladrão não conseguisse roubar.

Com mais de um milhão de pessoas na rua, já temos uma revolução e ela não pode e não vai contentar-se com pouco, podemos fazer mais,  se acordamos realmente, continuaremos “on line” com o que acontece e a mobilização é ativa. Uma Constituinte para a reforma pode ser feita em um ano. A reforma na educação e em outros setores imprescindíveis virão como consequência.

Esses movimentos pelo mundo são chamados de “global awakening”, é... o povo acorda. E agora a Inglaterra se oferece para ser lugar da copa em 2014, alegando que a instabilidade social aqui impediria de transcorrer bem o evento. Muito deselegante e pouco nobre por parte de um governo tão soberbo. Somos uma democracia, mas eles não entendem isso. Pensando bem, talvez fosse bom, se a FIFA devolvesse os 30 bilhões que investimos e pudessemos impedir de ir ao bolso dos corruptos.

Hoje em horário nobre da TV brasileira, a presidentA, se for estudantA e não estiver doentA vai falar à nação, tomara que ela não finja que não é com ela e fale que "apoia"! Seja o que for que ela falar, será determinante de seu governo. Vamos aguardar.



quinta-feira, 6 de junho de 2013

A puliça também é federal


Hoje saí cedo para viajar. Após passar por um temporal durante quase quarenta quilômetros, passei distraído por um posto da polícia rodoviária, e para minha surpresa um policial acenou para que eu parasse, como se eu fosse um bandido.

Pensei que essa nova turma de funcionários públicos viria a melhorar o serviço, pois na minha concepção esses concursados seriam realmente melhor preparados e por conseguinte, mais éticos e diferentes daquela turma, que ocupava os cargos públicos pelo apadrinhamento, e geralmente sem comprometimento ou preparo. Seriam uma salvação para o Brasil.

Olhei para o velocímetro e vi que realmente estava rápido, acho que algo em torno de 80Km/h. Parei o carro como ordenado, dei ré em direção dos policiais. Esperei que alguém chegasse ao meu lado, na janela para que fosse abordado como deveria. 

O que aconteceu foi que os policiais rodoviários federais aproximaram-se um de cada lado, segurando a arma no colete e permaneceram a cerca de dois metros do carro, para trás de mim, como se eu fosse sacar a qualquer momento uma metralhadora e alvejá-los... ora... eu dei marcha a ré! Se fosse bandido talvez não tivesse parado, ou mesmo talvez tivesse passado por cima dele.

Baixei o vidro, coloquei a cabeça para fora, olhando para trás. Antes que eu falasse, o policial falou em voz ameaçadora: "Os documentos do veículo e os seus"! (acho que ele queria os documentos de uma terceira pessoa, ou teria dito "teus").

Respondi - "Pois não, policial!" Virei-me e peguei a habilitação e o documento do carro, coloquei a mão para fora, bem ao meu lado, esperando que ele os pegasse. Ele esticou-se todo e tomou os papeis de minha mão, ordenando em seguida que eu saísse do carro e trouxesse o extintor e o triângulo.

Saltei do carro com o extintor de incêndio na mão, entreguei ao policial e fui em direção ao porta-malas, abri-o para pegar o segundo objeto, comecei a tirar as malas para alcançá-lo.  O policial interrompeu e disse ainda agressivamente: "Não precisa..., o extintor está vencido! Você estava em alta velocidade, numa área de 40Km, passando por dois AGENTES!".

Aí eu pego-me a pensar: Ele parou-me supostamente prezando pela segurança dos outros condutores e até pela minha, por isso pediu que encostasse para impedir um acidente por excesso de velocidade, pediu os documentos, para saber se eu era habilitado e se o carro não era roubado ou se eu realmente teria pago meus impostos. Mas se fosse realmente isso, teria deixado eu prosseguir, para verificar se eu tinha todos os equipamentos de segurança (ou ele só queria um motivo para multar... o extintor vencido já bastava...) e ainda, não teria "agravado" meu status de infrator, dizendo que eram |dois agentes|... (será que apenas estar numa área de baixa velocidade não bastava para estar errado? Ou ter um policial, ou pior dois POLICIAIS, agravaria a situação... Poder! Ele sentia-se desmoralizado.

Ainda falou, antes que eu fechasse o porta-malas, que o companheiro policial deveria pegar o bafômetro. Será que as sete da manhã, ele imaginava que eu estava vindo da balada, numa BR, com todas aquelas malas e ainda de cabelos molhados?

Não discuti, nem argumentei, tinha tomado meu remédio (kkkk) e estava tranquilinho. Acho que por isso me distraí! (kkkk2). Sabia que estava errado e já estava conformado com a multa. Eu estava muito cidadão nessa manhã. Acho que ele, esperando um "vamos dar um jeito"... que não veio, percebendo o trabalho que teria de preencher aquela papelada toda (é..., a multa da PRF tem muito mais papel que o da puliça de trânsito na cidade). Mandou o colega preencher a papelada: "...toma, você que gosta... eu vou parar um caminhão...". (ele ia parar um caminhão... que nem tinha passado ainda, já presumindo culpa!)

Esse outro, percebendo o abacaxi que recebia, olhou-me e disse mais educadamente que o outro: "O senhor estava em alta velocidade..., seja mais atento.". E abri a boca pela primeira vez: "Sim, eu estava distraído".
E ele disse: "...vá embora, vá!" Continuei excepcionalmente calado, obedeci, entrei no carro e partí.

Percepção - segunda parte: Eu estava triste por não ter sido multado ou por saber que estava com um pensamento errado? Aqueles policiais, jovens, recém empossados, estavam repetindo uma tradição de grande parte da velha guarda e da maioria dos policiais (mesmo jovens) da cidade - a corriqueira corrupção.

Infelizmente esse tipo de ação deixa o cidadão desacreditando na força policial, seja ela civil, municipal, estadual ou federal. Nunca, nas poucas e dessaborosas interações com policiais, tive uma boa impressão das corporações. Estamos perdidos!




Artistagem






quarta-feira, 5 de junho de 2013

危機と機会


No "alfabeto" japonês, a palavra crise tem quase a mesma forma da palavra oportunidade, em alguns momentos tem exatamente a mesma. O que nos leva a perceber que numa crise existe uma oportunidade ou que a oportunidade pode gerar um conflito (crise) de uma escolha.

A crise mostra uma verdadeira face de alguém. Nesse momento que descobrimos um animal, um monstro, um monge ou um santo, entre outros, que salta do interior da "roupa social". 

Um general americano, conversou com um pajé e o perguntou sobre seu conflito numa crise. O pajé disse que dentro de cada um existe dois lobos lutando, são antagônicos. Nessa luta, ganha o que for melhor alimentado.

Partindo da premissa que construimos ou projetamos nas pessoas aquilo que queremos, e isso faria-nos não perceber-las como são, em sua plenitude. Uns percebem mais, outros menos. Talvez nesse caso não perceber seja bom para não haver uma decepção, no entanto perceber o fará preparado para "a besta" que guarda no sorriso dentes afiados que dilaceram a carne. A ignorância será uma dádiva?

Se alguns mais velhos falam que "vive-se uma vida e não se conhece uma pessoa", fica difícil  saber com quem se convive, e esperar o pior parece com uma solução, embora te faça mais frio. As sociedades mais antigas costumam ser mais frios. Será que os ingleses, chinese, franceses, etc.  São assim por isso? 

Sei que passar pela crise é necessário para conhecer a verdade, sobre os outros, sobre o mundo, sobre si. (yorself). Em Delfos o oráculo dizia a um certo rei que se ele se conhecesse, dominaria o mundo. O monge conhece muito de si, pela meditação, é um sábio por conseguinte, ao passo que, querer dominar é característica da Besta.



Na primeira crise em que percebi, a totalidade de um ser interior, tatuei as garras de uma fera, rasgando a carne, de dentro pra fora. Isso faz-me lembrar que existe um eu que não aprovo, e procuro não alimentá-lo.

Nosce te ipsum.

terça-feira, 4 de junho de 2013

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Idiocracia Instalada



O mundo tem desconcentrado numa distopia onde o marketing e o consumismo mais alienam que ajudam, isso agregado ao culto anti-intelectualista dos "descolados", funciona para uma sociedade uniformemente estúpida.  

O bom exemplo é o das meninas conhecidas como "Irmãs Metralhas" do Bonde das Maravilhas (famoso pelo sucesso "Quadradinho de Oito"), Renatinha e Rafaela decidiram comemorar a fama fazendo uma tatuagem. A frase - um trecho de um funk do grupo - não teria problema se não fosse o erro de português. 

Em imagens que circulam pelas redes sociais, as duas aparecem com a tatuagem, na lateral do corpo, com os seguintes dizeres: "Com as irmãs metralha, com elas ninguém semete". 
Realmente é só a bunda que tem movido esse mundo.





Licença que eu vou pingar meu colírio alucinógeno.

sábado, 1 de junho de 2013

Tá tudo muda(n)do

[caosalmo.jpg]

Ninguém a minha frente, nada ao meu lado. Uma mulher no meu colo e ela bebe champanhe. Pele alva olhos assassinos. Olho pro céu com um velho olhar de menino, estou bem vestido esperando o último trem. Em pé num cadafalso, com minha cabeça no laço, tenho mais ou menos um segundo e meio pra saber o que faço!

Pessoas loucas, tempo estranho... Estou trancado, eu não alcanço!
Eu me importava..., mas tá tudo mudando. Esse lugar não me faz bem a saúde, eu deveria estar em Hollywood.

Por um segundo, eu pensei ver algo se mover...
Tome lições de dança, vá no candomblé, leve a vida como pode, vá até onde der. Só um tolo ia achar que não há o que dizer. Muita água embaixo da ponte, muitas outras coisas também...

Não se levante cavalheiro, eu estou apenas de passagem!

Andando milhas de estrada ruim, se a bíblia está correta, o mundo vai explodir!
Feito longe de mim até me perder.
A mão afaga, a arma que atira, a verdade desse mundo vem de uma grande mentira.
De mãos atadas não se pode vencer, Seu José e Dona Lúcia: eles pularam no lago, pra cometer esse erro eu não estou preparado.

Pessoas loucas, tempo estranho... Estou trancado, eu não alcanço!
Eu me importava..., mas tá tudo mudando...

(Zé Ramalho)


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